quarta-feira, 23 de abril de 2008


Fujo do mundo, refugio-me no teu regaço e aconchego-me ao som das tuas palavras.
Tento adormecer para tudo esquecer, mas quando estou prestes a mergulhar no mundo dos sonhos, decides ir e deixar-me ali. Apenas o sono ameniza a minha dor, mas agora que foste, nem dormir consigo. Contigo levaste tudo o que me restava, deixaste-me assim e por mais que eu te peça para me devolveres aquilo que fui, preferes virar as costas e prosseguir num percurso que já não me pertence.
Por que mostrar o que era ser tudo, quando sabias que me deixarias sem nada?
Sempre me disseste que invés de muros, devia construir pontes, mas para isso é preciso duas margens e agora somente uma falésia nos separa. Naquelas noites quentes de verão dizias-me que no lugar de pontos finais deveria pôr virgulas, que pelo menos depois de uma vírgula há sempre a possibilidade para algo melhor acontecer, mas agora o ponto final chegou e apenas me resta fazer parágrafo, começar uma nova história em que nenhuma personagem tem o teu nome.

1 comentário:

Catarina F. disse...

O teu melhor texto que li até agora.
Eu estava a ler e estava a ver um filme a passar pela minha cabeça, foi como sentir na pele tudo o que escreves-te e vizualizar.
A serio, tocou-me mesmo.
Continua!! =D
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